Meus caros seguidores,
O inverno chegou e lá ando eu constipada e já com um antibiótico oral para manter a boa forma do transplante.
Nada de alarmante, nada que não seja habitual nesta época do ano, mas que em transplantados, com as defesas mais baixas (provocadas pelos imunossupressores) é mais complicado de recuperar dela.
E com a medicação de cálcio, que comecei a tomar, tive o problema dos efeitos secundários, que como eu sou uma menina de “sorte” tive quase todos os que veêm expressos no folheto informativo do medicamento.
Nestes momentos em que é só espirrar, são também momentos nostálgicos de tudo o que já passei e agora não passo.
É a nostalgia e a recordação de todos os internamentos, e faz agora um ano que estava a ter alta hospitalar, com o receio de voltar a ser internada e não passar o Natal junto da minha família. Nostalgia essa, de todos aqueles exames , em que era o receio de na próxima consulta os meus médicos dizerem que tinha mais um “bichinho”, eram eles cepácias, pseudomonas, staphylococcus áureus, aspergillus , entre muitos outros que agora “fugiram”.
É inacreditável, como numas dez horas de cirurgia, conseguiram “retirar-me” as companhias que ás anos que acompanhavam. Algo que era do mais profundo ser (como costumo dizer na brincadeira).
E ainda me lembro quando a Dra Luisa e Dra Alexandra, me disseram a sorrir, mas sempre com um receio escondido, ‘conseguimos retirar tudo’, porque é normal não conseguirem retirar todas as bactérias, porque na transferência dos órgãos podem “passar” , isto numa linguagem muito acessível, porque apesar dos meus 18 anos de medicina própria, não gosto muito de complicações de termos técnicos :)
Bem e neste Natal, vai ser um Natal diferente, um Natal Especial. Tudo isto graças á equipa de Santa Marta. E acho que a melhor prenda a dar-lhes, além da minha sobrevivência e de toda a minha luta que não vai parar nunca, é uma homenagem publica. Todos eles sabem o que são para mim , e não há nada que lhes agradeça o facto de me terem devolvido a vida, de me terem devolvido a oportunidade de fazer coisas que não fazia, coisinhas tão simples como subir as escadas , como correr com os meus amigos, como fazer educação física, como pegar a minha princesinha Iva de 20 meses ao colo e puder brincar com ela , correr com os meus meninos do 1º ano da catequese, entre muitas mais coisas …
Isto não só pequenas coisas, são a minha Vida, Vida essa que foi devolvida por todos eles.
O Prof. Dr. Fragata com a sua simpatia, profissionalismo e carinho que para mim é muito importante e que só eles sabia dar aqueles seus “Bom dia Princesinha”.
A Dra Luísa Semedo que é a minha segunda Mãe, e tem aquele jeitinho terno de nos tratar. E que nestes últimos dias está sempre a receber telefonemas meus a perguntar o que fazer e que nunca rejeitou um pedido de ajuda, sendo á hora que for.
A Dra Alexandra, que fala do transplante da mesma “versão” que eu, sempre com optimismo, sempre de uma maneira especial e divertida.
O Dr Martelo, que saudades daqueles momentos de UCI , em que só queria que ele aparecesse para me tirar os drenos e para me abrir as portas do quarto, para eu poder ir ver o “Mundo” que me esperava para o respirar :) Mas também quando não tinha drenos e ele aparecia , uii era de tremer .
São apenas quatro pessoas da extrema equipa de Santa Marta que me acompanhou. E Prometo que antes do Natal venho cá felicita-los a todos.
E aqui vos deixo hoje uma foto minha e do Dr Fragata, no dia 21 de Novembro, no Dia Europeu de Fibrose Quistica, em que muito me orgulho te ter tirado. E confidencio-vos que é o fundo do meu computador, para recordar sempre quem me salvou a vida, quem é o “responsável” de eu estar viva. O Hospital de Santa Marta :)
Graças a todos eles vou passar mais um Natal, sem tubos de oxigénios, em festas com os amigos, e sem os meus bichinhos todos. Mas com amigos, família e um sorriso do tamanho do mundo e um amor para com eles sem limites (:
Confiança nos Médicos , Vontade de Viver, Força para Lutar , as palavras-chave para o sucesso *





