Há 17 anos, recebi mais do que um transplante pulmonar.
Recebi tempo, esperança e a oportunidade de continuar a escrever a minha história. Desde esse dia, cada respiração deixou de ser algo automático e passou a ser um lembrete silencioso de força, de superação e de gratidão.
É inacreditável como cada respiração era um sacrifício e hoje é uma liberdade.
Nem todos os dias foram fáceis. Houve momentos de medo, de incerteza e de luta. Mas há algo que nunca faltou: uma vontade imensa de viver. Tudo sempre foi valorizado, até as coisas mais pequenas da vida, seja o ar fresco da manhã, uma gargalhada inesperada, o abraço de quem nunca soltou a minha mão.
Recordo todos os passos daquele dia 6 de abril de 2009. A chegada ao hospital com a minha mãe, o atraso (épico) do meu pai e do meu irmão, a noite longa, as conversas e piadas do dia, a ida para o bloco. Ai, aquela ida para o bloco. Só quem passou por aquele momento consegue perceber a carga daquele momento. Foi o meu pai que empurrou a minha maca por aquela subida até ao bloco, com o meu irmão a rir-se de nervoso e com uma confiança que nunca vi em ninguém e a minha mãe a perguntar se eu estava bem. As portas do bloco abriram-se e o "Até já" mais longo da vida. As portas fecham-se e ficamos separados por horas mas unidos pelo otimismo de que tudo só podia correr bem e … 17 anos depois estamos cá. 🤍
Hoje, o meu coração transborda de gratidão, pela ciência, pelos profissionais que tornaram isto possível, pela minha família e pelos melhores amigos do mundo. Carrego esta dádiva todos os dias, com respeito e responsabilidade.
17 anos depois, continuo a lutar, a sonhar e a viver. Porque cada respiração é um presente. E eu escolho honrá-lo, todos os dias.
Aos que esperam por um transplante, acreditem que é a melhor transformação da vossa vida, dá medo mas vale tão a pena.
Aos meus amigos transplantados que me ajudam a crescer todos os dias, obrigada pela inspiração que são e o orgulho que me fazem sentir.
Hoje não celebro apenas um transplante. Celebro a vida. 💛
