quinta-feira, 6 de abril de 2017

8 anos de mim !

   8 anos (até parece mentira quando pronuncio.)
   O que vai na minha cabeça hoje? Sinceramente? Uma felicidade enorme, que mesmo que tente passa-la para esta mensagem acho que não vou conseguir. É inacreditável pensar que a esta hora à oito anos atrás estava a entrar num bloco operatório na tentativa do “Sim” mais assertivo e esperançoso da minha vida.

   Como habitual nestes dias, todos os anos recordo o que estaria a fazer naquele dia e nesta hora estava eu na parte do fechar das portas e “até já”. Recordo com um sorriso, que naquela mesma hora o fiz. O “abrir de pulmões” e sentida com a mesma intensidade e o ar entra de uma forma que nunca pensei ser possível.

   É possível com oxigénio auxiliar 24h acreditar que algo em 10 horas iria mudar? Acreditar que ia respirar como nunca o tinha feito? É possível passar tudo isto durante anos e aos 17 continuar a acreditar na vida?
Eram as perguntas que me passavam na cabeça e por incrível e estranho que seja, sempre disse sim às perguntas positivas: queres acreditar, viver e ser feliz? SIM.
   Todos os internamentos, todas as noites a tossir, todas as não saídas de amigos por febre, frio, pneumonias; todas as paragens nas conversas, todas as paragens em metros de caminhada, tudo isso faz parte de mim e não esquecerei nunca.
Lembrar-me disso, faz-me aproveitar ainda mais todos os momentos em casa, com amigos, todas as corridas, as gargalhadas e conversas intermináveis.

   25 anos após o nascimento e 8 anos após o renascimento, aqui tenho o meu bem mais precioso, o meu sorriso.
   Tenho o coração cheio para com quem nunca desistiu, nem desiste de acreditar comigo. Os meus Pais, o meu Irmão, o meu Namorado, a minha família e os meus amigos (que são uma verdadeira família). Á família Maria Pia, que são grande parte da minha vida, à Família Santa Marta que fez tudo, mas tudo mesmo, para que a minha vida fosse ainda uma parte bem maior. É impossível agradecer tudo – os abraços, as lágrimas, os “Força Filipa”, os “Calma Lipa” – tudo contribuiu para o meu crescimento.

   Hoje sou uma Filipa ainda mais feliz, ainda mais realizada. Uma Filipa ainda mais viva. Desistir nunca!
   A todos os que já partiram ou estão numa fase não tão boa, luto todos os dias.
   Luto para que “Com Fibrose Quística é possível ser Feliz”. Todos eles me deixaram o seu sorriso – serei eternamente agradecida pela garra deles.

   Um Obrigada, a alta voz e uma saturação a 100%

terça-feira, 3 de janeiro de 2017